A Judiaria da Guarda em 1395

Tombo da Comarca da Beira, início do fólio 88 – Arquivo Nacional da Torre do Tombo

No ano de 1395, D. João I mandou apurar o estado...
Tombo da Comarca da Beira, início do fólio 88 – Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Contos do Reino e Casa, Núcleo Antigo, número 292)

Introdução

Para governar e decidir, os reis da Idade Média lançaram mão de múltiplos instrumentos visando avaliar e recolher informações sobre os territórios e comunidades a eles sujeitos. Sobretudo a partir do século XII, ou seja o século da constituição do reino português entre os restantes da Península Ibérica, multiplicaram-se por toda a Europa os inquéritos directos. Faziam-se com a deslocação de agentes e oficiais interrogando as populações e localmente coligindo informação à escala de toda uma região e, até, de áreas mais vastas, como fizeram os reis normandos em Inglaterra com o famoso Domesday Book, ou os de Leão e Castela com o Libro Becerro de las Behetrias.

Só em Portugal, sobreviveram os textos de dezenas de inquéritos deste tipo, cobrindo várias regiões do país durante os séculos XIII e XIV: são as igualmente famosas Inquirições Gerais. Algumas dessas inquirições cobrem também partes da região da Beira. Havia inquéritos de tipo mais restrito, no entanto. Fosse para efeitos de reforma da governação da justiça, para recuperar propriedade alienada, ou para previsão de réditos e recursos financeiros, a prática do inquérito directo através de agentes específicos e procedimentos bem conhecidos tornou-se rotina nos finais da Idade Média, levando até alguns historiadores mais recentes a duvidar da sua real influência na governação, tal a sua natureza repetitiva, omnipresente, e cumulativa.

Em 1395, o rei D. João I tinha atrás de si uma agitada década de governo, marcada por uma conjuntura inicial de guerra e dificuldades económicas para o reino, e pontuada por tréguas sempre precárias com o rei castelhano. A destruição e demolições que tiveram lugar na cidade da Guarda e seus arredores, entre as décadas de 1370 e 1390, no contexto quer das guerras fernandinas quer joaninas, certamente justificariam que se procurasse saber o estado das propriedades do rei. Mas o agente do monarca, a avaliar pelo que nos resta do registo escrito do resultado dos seus esforços, inquiriu sobre este assunto mais largamente. Visitou grande parte das localidades da Beira interior, e coligiu informações de modo sistemático sobre propriedade urbana e rural com a cooperação preciosa dos agentes da administração local, quer régia quer municipal. O registo ficou classificado, no arquivo régio, como “Tombo da Comarca da Beira”.

Este registo precioso encontra-se hoje no arquivo nacional da Torre do Tombo, juntamente com numerosos outros exemplos provenientes do antigo arquivo régio que igualmente sobreviveram às destruições e perdas dos séculos subsequentes, como a grande catástrofe do terremoto de 1755. São estes, afinal, os “tombos” que deram nome ao próprio arquivo. O seu estudo e publicação alimenta a curiosidade e responde às perguntas de sucessivas gerações de estudiosos. Um simples recenseamento actualizado de quantos e quais dizem respeito à Guarda e à sua região, no entanto, seria da maior utilidade para o estudo do passado da cidade. [RCG] 

A Judiaria da Guarda em 1395

  • Berta Jacob [BJ]
  • Daniel Martins [DM]
  • Maria José Neto [MJN]
  • Antonieta Pinto [AP]
  • Tiago Pinheiro Ramos [TPR]

Oficina de História da Guarda, julho 2017

No ano de 1395, D. João I mandou apurar o estado das suas propriedades na Comarca da Beira.

O inquiridor e demarcador das propriedades[1] do rei, Rui Peres, percorreu a dita comarca, registou em cada localidade os bens do rei, as suas caraterísticas, o seu estado de conservação, as confrontações de cada uma, quais os usufrutuários desses bens e os valores devidos ao rei em rendas e direitos. Para este fim, contou com a colaboração de várias autoridades locais (juízes, tabeliães, procuradores) e com a informação preciosa de “homens antigos”. Não se tratando estritamente de uma inquirição[2], no sentido específico do termo, o oficial recorreu a esse mesmo modo de proceder, pontualmente, como método de apuramento da verdade. Usou igualmente registos escritos e outros documentos disponíveis nas localidades.

O manuscrito produzido nessa ocasião, o Tombo da Comarca da Beira[3], transformou-se num manancial de informação para o monarca poder controlar as suas herdades e respetivos rendimentos, sucessivamente consultada e atualizada pelos seus sucessores. Esta utilização originou numerosos acrescentos e anotações marginais ao texto, sendo os mais interessantes aqueles que se referem, por exemplo, à reforma manuelina dos forais antigos. O manuscrito ainda hoje se conserva no Arquivo Nacional – Torre do Tombo (Contos do Reino e Casa, Núcleo Antigo, número 292).

Em 1916, Anselmo Braamcamp Freire publicou a transcrição desse manuscrito no volume X do Arquivo Histórico Português, alargando a possibilidade de utilização do mesmo[4]. O objetivo do texto que agora apresentamos não difere muito daquele que Braamcamp Freire realizou. No âmbito do primeiro workshop de verão da Oficina de História da Guarda, fez-se a atualização do texto do Tombo da Comarca da Beira, visando um público de leitores não eruditos. A atualização contemplou apenas a secção do texto relativa à zona urbana da Guarda, correspondendo à curiosidade crescente que hoje rodeia o bairro da judiaria antiga da Guarda. Este texto excecional descreve justamente essa área da cidade, que era de propriedade régia, mas também casas adjacentes onde viviam cristãos.

Trabalhou-se, assim, a partir da edição de 1916 feita por Braamcamp Freire, mas fizeram-se verificações pontuais da transcrição deste autor a partir da digitalização do manuscrito. O texto foi lido, interpretado, e actualizado segundo regras previamente definidas ou ajustadas à medida que o trabalho ia sendo realizado[5].

Estas são as casas que El Rei tem na dita vila da Guarda

Item [G1] Primeiramente uma casa que traz João Vasques [arrendada], sobradada, junto da Porta d’ El-Rei, do lado esquerdo quando se entra nela. Confronta, por um lado com a muralha, por outro lado com o campo do rei e com a rua pública.

Item [G2] Um campo do rei, o qual confronta com a casa acima mencionada, que traz [arrendada] o dito João Vasques; da outra parte confronta com a muralha da dita cidade e da outra parte com casas do rei que traz Baril judeu e confronta com a rua pública.

Item [G3] Três casas que traz [arrendadas] Abraão Mamom, judeu sapateiro. Uma delas confronta, ao fundo, com o sobredito campo, a dita rua pública e com a casa de Isaac Cacez. Da dita casa vai um balcão, por cima da dita rua para as outras duas casas. Essas casas são sobradadas e confrontam com as ruas públicas, com as casas que traz [arrendadas] Judas de Linhares e do outro lado com casas de João Afonso Mageto.
Paga por elas em cada ano _____ 6 libras.

Item [G4] Isaac Cacez, judeu, traz [arrendada] uma casa sobradada que confronta com o campo do rei, de outro lado com a casa que traz [arrendada] Mestre Moisés, com a Rua do Concelho e com as casas de Abraão Mamom, sapateiro.
Paga por elas em cada ano _____ 3 libras.

Item [G5] Abraão sapateiro, filho de Judas de Linhares, traz [arrendada] uma casa sobradada que confronta com as casas de Abraão Mamom e, do outro lado, com as casas de Judas ferreiro e com o campo que traz [arrendado] Mestre Moisés e com a rua pública.
Tem-as emprazadas para sempre e paga delas ao rei, em cada ano _____ 2 libras.

Item [G6] Um pardieiro que está emprazado a Mestre Moisés, para fazer casa. Confronta de um lado com a casa de Isaac Cacez, de outro com o campo do rei e do outro com um pardieiro que está emprazado a Juça de Leiria e confronta com a rua do concelho.
Paga por ele, em cada ano _____ 15 soldos.

Item [G7] Um pardieiro que tem emprazado Juça de Leiria, o qual confronta com o campo do rei, contra a muralha, com o pardieiro de Mestre Moisés e com a rua pública e do outro lado [pardieiro] que foi de Abraão ferreiro.
Paga dele, em cada ano ao rei _____ 10 soldos.

Item [G8] Outro pardieiro sem paredes que foi de Abraão ferreiro. Confronta com o campo do rei, com a casa de Samuel da Faia, com a rua do concelho, com o pardieiro sobre dito. Não está emprazado a ninguém.
<Agora o traz [arrendado] Vicente Arragel, por _____ 20 soldos.>

Item [G9] Uma casa que traz [arrendada] Samuel da Faia que confronta com o pardieiro deste sobredito e com a muralha da dita cidade e de outro lado com a casa de Munhom e com a rua do concelho.
Paga por ela, em cada ano ao rei _____ 10 soldos.

Item [G10] Outra casa que traz [arrendada] Judas ferreiro, sobradada que confronta com as casas que foram de Judas de Linhares, de outra parte com o chão de Mestre Moisés e de outro lado com João Afonso Mageto e com a rua do concelho.
Paga dela, em cada ano ao rei _____ 2 libras.

Item [G11] Uma casa que traz [arrendada] Samuel de Munhom, sobradada, e confronta com casas de Samuel da Faia e com a muralha da dita cidade, com Isaac Cacez e com a rua pública.
Paga, em cada ano ao rei _____ 4 libras.

Item [G12] Uma casa que traz [arrendada] Isaac Cacez, reparada, térrea, que confronta com as casas de Samuel de Munhom e pela sobredita muralha e com o pardieiro de Isaac de Crasto e com a rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 50 soldos.

Item [G13] Um pardieiro que traz [arrendado] Isaac de Crasto que confronta com casas do sobredito e com o pardieiro de Dom Falilhom e com a dita muralha e com a rua do concelho.
Paga ao rei por ela, em cada ano _____ 50 soldos.

Item [G14] Um pardieiro de David Favilhom[6] que confronta com este sobredito e com a dita muralha e com a rua do concelho.
Paga por ele ao rei, em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G15] Mestre Moisés traz [arrendada] uma casa do rei, que é sobradada e confronta com este sobredito, com a dita muralha e com a rua do concelho e com um chão do rei.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 4 libras.

Item [G16] A sinagoga dos judeus que confronta com o chão de Mestre Moisés, com casas de Mestre Juça, com casas do rei que traz [arrendadas] Pedro Afonso e com a rua do concelho.
Pagam por ela os judeus, em cada ano _____ 30 soldos, a qual lhes é emprazada por carta do rei D. Dinis, que mostraram.

Item [G17] Uma casa que traz [arrendada] Infante Jude[7] que é térrea que confronta com a atafona de Abraão de Leiria e com chãos do concelho por dois lados e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei _____ 3 libras.
<Foi acrecentado por partir na[?] de Samuel Querido que ora traz esta casa>[8]

Item [G18] Uma casa que traz [arrendada] Mestre Juça, que é sobradada e confronta com casas desse sobredito Infante e, de outro lado, com a casa do rei da atafona que traz [arrendada] David Falilhom e com a rua pública. <Esta casa anda com a atafona>

Item [G19] Uma casa de atafona que trazem [arrendada] Davi Falilhom e Abraão de Leiria e confronta com esta casa sobre dita e com a casa de Bel[9] Infante e com casas de Álvaro Gil e com o campo do rei, que está ao lado da muralha e confronta com a rua do concelho.
Pagam por ela ao rei, em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G20] Uma casa que traz [arrendada] Álvaro Gil, judeu, que é sobradada. Confronta com a sobre dita atafona e com a Rua do Concelho e de outro lado com a dita atafona e com Abraão Mamom.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 25 soldos.

Item [G21] Uma casa que traz [arrendada] Abraão Mamom, que é do rei, sobradada. Confronta com a casa deste sobre dito e com a Rua do Concelho e com o pardieiro do rei que traz arrendado Afonso Giraldes e com casas de Dona Fordonha [sic][10].
Paga dela por ano, ao rei, por ano _____ 25 soldos.

Item [G22] A casa que traz [arrendada] Suas Judeu. Confronta com [a] casa de Mestre Juça, com casas de Daniel, com a rua do concelho e com curral de Mestre Juça.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G23] Uma casa que traz [arrendada] Daniel Judeu que confronta com a casa do sobre dito Suas, com o curral de Mestre Juça, com a rua do concelho e com casa de Antom Ergas.
Paga por ela em cada ano, ao rei _____ 30 soldos.

Item [G24] Uma casa que traz [arrendada] Dona Fadona que confronta com Abraão Mamom, seu filho, com Isaac Ferreiro, com pardieiro de Afonso Geraldes e de outro lado com a muralha e com a rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 48 soldos.

Item [G25] Uma casa que traz [arrendada] Antom Ergas, do outro lado que confronta com casas do rei que traz [arrendadas] Daniel e do outro lado, com casas do dito Antom Ergas de dois lados e como entesta na rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 3 libras.

Item [G26] Outra casa do dito Antom Ergas que confronta dos dois lados com o dito Antom Ergas e com Almofacem e com a rua do concelho.
Paga por ela ao rei, por ano _____ 45 soldos.

Item [G27] Uma[s] casa[s] de Isaac Ferreiro que são novas e sobradadas e confrontam com Dona Fadona, com Santem[11], com Domingos Martins e com a rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 3 libras.

Item [G28] Uma[s] casa[s] de Almofacem, térreas, que confrontam com Antom Ergas e do outro lado com Fabibi[12] e com o curral de Antom Ergas e com a rua do concelho.
Paga por ela, em cada ano _____ 30 soldos.
<70 soldos>

Item [G29] Uma casa de Fabibi que confronta com esta casa acima escrita e com David Falido, com curral de Gonçalo Pais e entesta na rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 70 soldos.

Item [G30] A casa de Santom[13] Mamom que confronta com casa de Isaac Ferreiro e de outros lados pelas ruas do concelho.
Paga por elas ao rei, foro de cada ano _____ 3 libras.

Item [G31] Uma casa do rei que traz [arrendada] Domingos Martins, carniceiro, que confronta com a casa de Isaac Ferreiro, com pardieiro de Afonso Giraldes, com a casa de Santom e com a rua do concelho.
Paga por ela ao rei, em cada ano _____ 3 libras.
<destruída>

Item [G32] Uma casa do rei que traz [arrendada] Isaac Ferreiro, que confronta com a atafona, de David Favilo e de Abraão de Leiria, e com a casa de Álvaro Gil, e com o pardieiro de Afonso Geraldes.
Paga por ela em cada ano, ao rei _____ 3 libras.

Item [G33] Um pardieiro do rei que traz [arrendado] Afonso Geraldes, que confronta com casas de Dona Fadona e com Domingos Martins, carniceiro, e com casa que foi de Gil Afonso e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano, ao rei _____ 21 soldos.

Item [G34] Uns açougues que jazem na judiaria, que ao tempo deste inquérito estavam todos derrubados, e mandou-os fazer El Rei, os quais confrontam com a muralha da dita vila e de outros lados confrontam com os chãos do rei e com a rua do concelho.

Item [G35] Umas casas de Rabi David, que foram de Salomão Adida, as quais são sobradadas e estão juntas e balcoadas contra a muralha. Confrontam com Moisés de Crasto e, do outro lado, com eixido do dito Moisés, com outro eixido do dito David Falilho, e com eixido de Domingos Apariço e com a rua do concelho.
Paga por elas em cada ano ao rei _____ 30 soldos, e mostrou carta do rei Dom Fernando em como lhe eram emprazadas para sempre, pelo dito foro.

Item [G36] Um pardieiro, derrubado de todo ponto, que foi de Clara Clemente, que está emprazado a David Falilho, que confronta com o próprio e, do outro lado, com a casa de Moisés de Crasto e dos outros lados com as ruas do concelho.
Paga por ele em cada ano ao rei _____ 20 soldos.

Item [G37] Uma casa do rei, que traz [arrendada] Rabi David, que confronta com o próprio e, do outro lado, com Franca, a “Cucaracha”[14], e com casas de Moisés de Crasto e com duas ruas do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei _____ 50 soldos.

Item [G38] Uma casa que foi de Salomão e agora é de David Falilho, sobradada, confronta com casa de Fabibi, com Gonçalo Pais, com casas que foram de João Pascoal, com casas de Samuel Cacez e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei _____ 10 soldos.

Item [G39] Umas casas sobradadas que traz emprazadas Samuel Cacez e confrontam com o sobredito David Falilho, com Abraão Rodrigo, com Fernão Gonçalves e com a rua do concelho.
Paga por elas em cada ano ao rei _____ 4 libras.

Item [G40] Uma casa da “Corocha”[15] que é térrea, e a meia sobradada, confronta com David Falilho, com casas de Jacob Pernica e com a rua do concelho.
Paga por elas ao rei em cada ano _____ 50 soldo.

Item [G41] Uma casa sobradada de Jacob Pernica, que confronta com a casa sobredita e com Isaac de Crasto e, do outro lado, com Moisés de Crasto e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei, de foro _____ 3 libras.

Item [G42] Uma casa sobradada de Abraão Rodrigo, que confronta com Samuel Cacez, com Abraão Sofel, com azinhaga de David Favilho [sic] e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei, de foro _____ 3 libras.

Item [G43] Uma casa sobradada de Abraão Sofel, que confronta com casas do rei, que traz [arrendadas] Domingos Afonso, com Abraão Rodrigo, com o adro de São Vicente e com a rua do concelho.
Paga por ela de foro em cada ano ao rei _____ 2 libras e meia.

Item [G44] Uma casa sobradada, que traz [arrendada] Isaac de Crasto, que confronta com Jacob Pernica, com Moisés de Crasto e com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei, de foro _____ 3 libras e 15 soldos.

Item [G45] Duas casas sobradadas, que traz [arrendadas] Moisés de Crasto, que confrontam com casas do rei, que traz [arrendadas] seu irmão Isaac de Crasto, com Cide, com David Falilhom, com a Rua dos Açougues e com o adro de São Vicente.
Paga por elas de foro ao rei em cada ano _____ 5 libras e quarta.

Item [G46] Uma casa sobradada e o sótão[16] que traz [arrendados] Cide e o sobrado David Favilho [sic], confrontam com Moisés de Crasto, com Salomão Pernica, com o adro de São Vicente e com casas de David Falilho.
O Cide paga pelo sótão em cada ano 30 soldos, e Davi pelo sobrado _____ 10 soldos.

Item [G47] Uma casa sobradada de Salamom Pernica, que confronta com Cide, com eixido de David Falilho, com Domingos Apariço e com o adro de São Vicente.
Paga por ela de foro ao rei em cada ano _____ 40 soldos.

Item [G48] Uma casa térrea que traz [arrendada] Domingos Apariço, confronta com a sobredita, com seu eixido, com chão do rei, onde chamam o Muro das Vacas. Esta casa entesta na rua pública e confronta com casas que foram de Sancha Anes.
Paga por ela em cada ano de foro ao rei _____ 4 libras e meia.
<[N]estas estão os açougues do concelho>

Item [G49] Uma casa térrea que traz [arrendada] Maria Abril, que confronta com Sancha Anes e, do outro lado, com Domingos Apariço, com eixido que foi de Sancha Anes e com a rua pública.
Paga por ela de foro em cada ano ao rei _____ 35 soldos.

Item [G50] Uma casa que foi de Sancha Anes, que agora traz [arrendada] Gil Vicente, confronta com a sobredita Maria Abril, com Geraldo Domingues, a qual tem um eixido junto ao Muro das Vacas, e confronta, do outro lado, com a rua do concelho.
Paga por ela em cada ano ao rei de foro _____ 50 soldos, segundo mostrou por carta de compra[17].

Item [G51] Duas casas que traz [arrendadas] Geraldo Domingues, uma sobradada e a outra térrea, que confrontam com a sobredita casa que foi de Sancha Anes e, do outro lado, com o Poço do Gado. Estas casas têm um eixido junto ao Muro das Vacas, que confronta com chão do rei, e com a rua pública.
Paga por elas em cada ano, ao rei _____ 10 soldos de foro. Mostrou carta do rei Dom Dinis, em como lhe foram aforadas para sempre[18].

Item [G52] Uma casa que traz [arrendada] Domingas Aparício, que é térrea, e confronta com casas do rei, que foram de João de Deus, com casas de Branca Peres, com casas do rei que traz [arrendadas] Vasco Esteves, e com duas ruas públicas.
Paga por elas em cada ano ao rei, de foro _____ 30 soldos.

Item [G53] Uma casa térrea que traz [arrendada] Branca Peres, que foi manceba do prior, confronta com a sobredita casa e, do outro lado, com casas do rei que traz [arrendadas] Estevão Peres, almoxarife, e com casas de Estevão Afonso; entesta na rua do concelho.
Paga por ela ao rei de foro, em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G54] Uma casa que foi de João de Deus, que agora traz [arrendada] Estevão Peres, almoxarife, que confronta com a casa da sobredita Branca Peres, com a de Gonçalo Martins, peleiro, entesta na rua do concelho, e com João Pais.
Paga por ela de foro em cada ano ao rei _____ 40 soldos.

Item [G55] Duas casas sobradadas do rei que traz [arrendadas] João Pais, confrontam com o sobredito Estêvão Peres e, do outro lado, com Pedro Afonso, com João Coelho e com a rua pública.
Paga por elas em cada ano ao rei, de foro _____ 50 soldos.

Item [G56] Duas casas que traz [arrendadas] Pedro Afonso, confrontando com as sobreditas casas, com Gonçalo de Avelãs, com outras casas do rei que traz [arrendadas] Estevão Peres, e com a rua pública.
Paga por elas em cada ano, ao rei _____ 3 libras.

Item [G57] Uma casa que traz [arrendada] Gonçalo de Avelãs, que confronta com casas de Pedro Afonso, com Gonçalo Geraldes, com o adro de São Vicente e com a rua pública.
Paga por ela de foro em cada ano, ao rei _____ 5 libras.

Item [G58] Uma casa que traz [arrendada] Gonçalo Geraldes, confrontando com a casa sobredita, com casas do rei que traz [arrendadas] Afonso Domingues; entesta no adro de São Vicente dos dois lados.
Paga por ela de foro ao rei em cada ano _____ 4 libras.

Item [G59] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Afonso Domingues, confrontando com a casa de Gonçalo Geraldes, com Afonso Martins, e com casas do rei que traz [arrendadas] Estêvão Peres; entesta no adro de São Vicente.
Paga em cada ano ao rei de foro _____ 30 soldos.

Item [G60] Uma casa sobradada que foi de Janeiro, agora traz [arrendada] Afonso Martins. Confronta com Afonso Domingues e com casas de Estevão Peres; entesta no adro de São Vicente.
Paga cada ano de foro _____ 45 soldos.

Item [G61] Uma casa que foi de Joana Peres, que agora traz [arrendada] a Estevão Peres almoxarife; confronta com casa do sobredito Janeiro, com um bueiro entre casas, com casas de Gonçalo Geraldes e com rua pública.
Paga cada ano <acho que por costume paga> _____ 30 soldos cada ano.

Item [G62] Uma casa, metade sobradada, que traz [arrendada] Bento Gonçalves, confronta com o sobredito bueiro, com casas do rei arrendadas a João Coelho, com casas arrendadas a João Pais e com rua pública.
Paga por elas de foro cada ano _____ 3 libras.

Item [G63] Uma casa que traz [arrendada] João Coelho, metade dela sobradada; confronta com as sobreditas de Bento Gonçalves, com Gonçalo Martins peleiro, com casas de João Pais e com rua pública.
Paga cada ano ao rei de foro _____ 3 libras.

Item [G64] Uma casa que traz [arrendada] Gonçalo Martins peleiro que confrontam com casa do dito João Coelho, com casa do rei que traz [arrendada] arrendada Estevão Afonso, com casa que tem arrendada Estevão Peres e com rua pública.
Paga dela de foro ao rei, em cada ano _____ 3 libras.

Item [G65] Duas casas que foram de Martim Gavião, agora traz (arrendadas] Estevão Afonso, Vasco Esteves e Maria Anes, sobradadas, confrontam com casas deste sobredito, com casa do rei que traz [arrendada] André da Faia, com Domingas Aparício e com rua do concelho.
Pagam por elas de foro, por cada ano ao rei, por metade delas o Estevão Peres 45 soldos, a Maria Anes _____ 22 soldos e meio
e o Vasco Esteves _____ 22 soldos e meio.

Item [G66] Uma casa de André Domingues da Faia que confronta com as casas sobreditas, com casa de Domingas Aparício e das outras partes entesta nas ruas do concelho.
Paga ao rei de foro, por ano _____ 5 libras e meia.

Item [G67] Umas casas que traz [arrendadas] Gil Vicente tabelião, não são sobradadas; confrontam com casas do rei que traz [arrendadas] Martim Anes, das outras partes com campo do rei e entesta nas ruas públicas.
Paga por elas de foro em cada ano ao rei _____ 4 libras e 11 soldos. Mostrou carta do Rei D. Afonso, selada com o seu selo, como a dita casa lhe foi aforada para sempre.

Item [G68] Uma casa que traz [arrendada] Martim Anes, almocreve, confronta com as casas sobreditas, com casas do rei que traz [arrendadas] Afonso Vicente, clérigo, com rua pública e com chão do rei.
Paga dela de foro em cada ano, ao rei _____ 25 soldos.

Item [G69] Uma casa que traz [arrendada] Afonso Vicente, clérigo, confronta com casa do dito Martim Anes, com a azinhaga da estalagem do rei, com chão do rei e com rua pública.
Paga dela cada ano ao rei, de foro _____ 25 soldos.

Item [G70] Uns pardieiros que não têm telha nem madeira, dizem que os destruiram na guerra; confrontam com casas que foram de Rodrigo Afonso, com a muralha da cidade e com a azinhaga que vai entre a dita casa e a casa do sobredito Afonso Vicente.
_____ Não rendem nada.
<quebra>[19]

Item [G71] Uma casa que foi de Rodrigo Afonso, confronta com a sobredita estalagem, com a muralha da vila, com chão do rei e com rua do concelho.
Paga de foro ao rei em cada ano _____ 18 soldos.

Item As casas do rei que estão na Rua Direita que vai de São Vicente para a porta d’El Rei.

Item [G72] Primeiramente uma casa que traz [arrendada] Domingos Afonso que é sobradada, confronta com Fernão Gonçalves, com casa que traz [arrendada] Abraão Sofel, com adro da dita igreja e com Abraão Rodrigo.
Paga de foro em cada ano, ao rei _____ 3 libras e meia.

Item [G73] Um campo onde estava alpendre em que costumavam estar as regateiras, que está sob a cabeceira da igreja de São Vicente e confronta com a rua pública. No tempo em que havia alpendre tinham que estar ali as regateiras, ainda que não quisessem; cada uma pagava ao rei, cada dia, dois dinheiros da moeda antiga.

Item [G74] Um alpendre que o rei tem na dita cidade, o qual o dito Rui Peres mandou fazer por ordem do dito senhor, no qual estão seis tendas. Situado no campo da Igreja de São Vicente, da parte da Rua Direita. O almoxarife do rei arrenda-as no dia da feira aos mercadores que nelas queiram estar.

Item [G75] Uma casa que traz [arrendada] Fernão Gonçalves alfaiate, sobradada, confronta com Domingos Afonso, David Favilho, com Aparício Fernandes e com o adro de São Vicente.
Paga dela ao rei, de foro, em cada ano _____ 50 soldos.

Item [G76] Duas casas sobradadas que traz [arrendadas] Aparício Fernandes, confrontam com a casa sobredita, com casa do rei que traz [arrendada] Fernão Peres, com David Favilho e com rua pública.
Paga delas ao rei de foro, cada ano _____ 55 soldos.

Item [G77] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Fernão Peres, confronta com as casas sobreditas, com David Favilho, com casa do rei que traz [arrendada] Gonçalo Pais e com a rua pública.
Paga de foro ao rei em cada ano _____ 3 libras.

Item [G78] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Gonçalo Pais, confronta com a casa sobredita, com David Favilho, com Aparício Domingues e com rua pública.
Paga dela em cada ano ao rei _____ 3 libras.

Item [G79] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Aparício Domingues, confronta com casas do rei que traz [arrendadas] Gonçalo Pais, da outra com casas também do rei que traz [arrendadas] Antom Ergas e com rua pública.
Paga dela foro em cada ano ao rei _____ 45 soldos.

Item [G80] Uma casa que traz [arrendada] Domingos Bento, confronta com casas do rei que traz [arrendadas] Antom Ergas e da outra com a rua pública.
Paga dela de foro, por ano ao rei _____ 21 soldos.

Item [G81] Uma casa sobrada que traz [arrendada] Antom Ergas que lhe foi emprazada sendo um pardieiro. Confronta com casas do sobredito Domingos Bento e da outra com Vasco Lourenço, genro de Garcia, e da outra parte com casas do rei que traz [arrendadas] o dito Antom Ergas e pela rua pública.
Paga dela por foro ao rei, em cada ano _____ 40 soldos.

Item [G82] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Vasco Lourenço, genro de Garcia. Confronta com casas do rei que traz [arrendadas] o dito Antom Ergas, da outra parte com casas que foram de Vasco Peres que agora traz [arrendadas] Vasco Bentes e pela rua pública.
Paga dela por foro ao rei, em cada ano _____ 4 libras.

Item [G83] Duas casas sobradas que traz [arrendadas] Vasco Bentes, sobradadas. Confrontam com as sobreditas casas do dito Vasco Lourenço, da outra [parte] com André, genro de Garcia, e pela rua pública.
Paga delas por foro em cada ano _____ 40 soldos de uma e da outra 30 soldos.

Item [G84] Uma casa sobradada de André Domingues que confronta com as casas do sobredito Vasco Bentes, com casas de Pedro Afonso, escudeiro e pela rua do concelho.
Paga dela de foro em cada ano, ao rei _____ 25 soldos.

Item [G85] Uma casa que traz [arrendada] Pedro Afonso da outra parte da rua. Confronta com casas que foram de Aldara Anes, da outra parte com casas de Vasco Fernandes da Corujeira, com a rua pública e com pomar de Diego Peres. As quais são sobradas e com três portais.
Paga delas por foro em cada ano, ao rei _____ 6 libras.

Item [G86] Uma casa sobradada que traz [arrendada] Fernando Esteves. Confronta com as sobreditas casas, com casas do rei que traz [arrendadas] António Domingues escudeiro [sic][20], pela rua do concelho e com a sinagoga.
Paga dela ao rei por foro em cada ano _____ 40 soldos.

Item [G87] Uma casa que traz [arrendada] António Domingues, esqueireiro[21]. Confronta com esta casa sobredita, com casas de Afonso Anes, sapateiro, com campo que traz [arrendado] Mestre Moisés, e com a rua do concelho.
Paga dela de foro ao rei em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G88] Uma casa sobradada que traz [arrendada] João Domingues. Confronta com a casa sobredita, com casas do rei que traz [arrendadas] Afonso Anes, com chão que traz [arrendado] Mestre Moisés, e com a rua pública.
Paga dela por foro ao rei, em cada ano _____ 30 soldos.

Item [G89] Uma casa sobradada que jazia em pardieiro. Confronta com esta casa sobredita, com João Afonso Mageto, com campo que traz [arrendado] Mestre Moisés, e com a rua do concelho.
Paga dela por foro ao rei, em cada ano _____ 20 soldos.

Item [G90] Uma casa sobradada que traz [arrendada] João Afonso Mageto, que lhe foi emprazada sendo pardieiro. A qual confronta com casas do sobredito Afonso Anes, com Abraão Mamom e com a rua do concelho.
Paga dela por foro ao rei _____ 20 soldos.

Item [G91] Uma torre que o rei tem na dita vida (aliás, vila). Uma torre que chamam a Torre Velha que está na metade da muralha nova, por onde é agora a vila departida.
<aqui torna-se acabado o caderno do papel>[22]

Item [G92] As casas assim sobreditas, assim todas vistas e escritas por mim, escrivão, o dito Rui Peres, o dito juiz, vereadores, procurador, homens bons e tabeliães sobreditos, a saber, para ser[em] demarcado[s] as ruas do dito senhor e as casas e chãos que ele tem na dita vila, foram postos estes marcos nas divisões por onde partem as casas do rei, nestes lugares que adiante seguem:

Item [G93] Primeiramente à Porta d’El Rei, na muralha da dita vila foi figurado um escudo com os sinais do rei. E da dita divisão parte o do rei com a muralha, vindo pela Rua Direita como se vai a São Vicente, pelo alpendre das tendas do rei e no fim das ditas tendas; por onde parte o alpendre da dita igreja, foi posto um marco com os sinais do rei. E foi posto um padrão com os sinais do rei, sob o adro da dita igreja de São Vicente, num chão do rei em que costumava estar um alpendre em que estavam as regateiras. E do dito padrão parte o do rei para fundo [da] Rua Direita indo para a muralha nova por onde atalharam a vila. E a par de uma escada da muralha principal foi posto um padrão, além da estalagem do rei e de todas as casas, por onde parte com o chão de Gil Vicente, tabelião, no qual padrão foram figurados os sinais do rei. E por estas divisões sobreditas partem as ruas, casas, judiaria, e chãos do rei e entestam na muralha da dita vila, sobre si, não tendo aí outrem, nenhuns chãos, nem nenhumas casas; partem pela dita muralha em diante como se vai juntar à Porta d’el Rei, onde se pôs o dito primeiro marco.

Item [G94) Tem o dito senhor rei uma casa à Porta dos Ferreiros, fora destas sobreditas. A qual trazem [arrendadas] os filhos do falecido Martim Barreiros, a qual confronta com casas da Sé em que mora Leonarda Lourença; da outra parte com casas da igreja que traz [arrendadas] Álvaro Martins, cónego, prior da [igreja] de Pêro Viseu e pela rua pública.
Pagam dela de foro ao rei, em cada ano _____ 55 soldos

Notas

[1] Rui Peres, no início do Tombo da Comarca da Beira, é apresentado como “ enqueredor e demarcador”.

[2] Inquirição: “Prova, por via de justiça, que se faz ouvindo as testemunhas, e lançando por papel o seu depoimento” in Rafael Bluteau, Vocabulário português e latino, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1713, folio 143.

[3] Tombo: “Catálogo das terras, ou Escrituras de um reino, de uma Igreja, ou Convento” in Rafael Bluteau, Vocabulário português e latino, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1713, folio 196.

[4] Anselmo Braamcamp Freire, “Tombo da Comarca da Beira”, Arquivo Histórico Português, Vol. X (1916), p. 313-325. Para além da Guarda, este manuscrito inclui as localidades de Trancoso, Pinhel, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Vilar Maior, Alfaiates, Sabugal, Sortelha, Covilhã, Belmonte, Penamacor, Linhares, Seia, e Marialva. A secção relativa à Guarda inclui ainda a descrição dos “reguengos” ou propriedades rústicas do rei, localizadas no termo da cidade, da qual não nos ocupámos por agora.

[5] Vejam-se as “Normas seguidas na actualização do texto”, in fine.

[6] Pode tratar-se de David Falilhom, repetidamente mencionado nesta versão.

[7] “Jude” significaria eventualmente “Judeu”.

[8] Anotação à margem que não foi inserida na transcrição de Braamcamp Freire.

[9] “Bel” poderá ser eventual corruptela de “Abel”?

[10] Deve corresponder a “Dona Fadona”.

[11] Talvez correspondendo a Sem Tob, nome hebraico comum na Península Ibérica.

[12] Embora o nome apareça escrito com v, e não b, optámos por esta grafia porque é provável que se trate de nome arabizado (habibi ou fa-habibi), ou seja “querido”.

[13] Talvez correspondendo a Sem Tob, nome hebraico comum na Península Ibérica.

[14] Tratar-se-ia certamente de uma alcunha.

[15] Eventual corruptela de “Cucaracha”, a alcunha transcrita em [G37].

[16] Piso térreo ou cave.

[17] Tratar-se-ia da transação do contrato, e não da própria casa.

[18] Ou seja, teriam sido aforadas aos seus antepassados.

[19] Inserto à margem, não transcrito por Braamcamp Freire.

[20] A palavra deve ser “esqueireiro”, pois assim se encontra emendada na rubrica seguinte.

[21] Palavra entrelinhada em correcção de outra. Refere-se a profissão artesanal do couro.

[22] Inserto à margem, mas não transcrito por Braamcamp Freire.

Breve Glossário

  • aforamento” - designação de um tipo de contrato, correspondendo ao pagamento de um foro, geralmente anual
  • arrendamento” - designação de um tipo de contrato, correspondendo ao pagamento de uma renda
  • balcão” – acrescento numa casa ao nível dos pisos superiores; se juntava duas casas era um passadiço;
  • bueiro” – buraco, rego ou cano para esgoto de águas;
  • contrato“ "ēfatiota” – contrato enfitêutico (enfiteuse), geralmente por um período mais longo;
  • é testa” ou “ētesta” – entesta, confronta, confina com;
  • eixido” – pátio, quintal;
  • emprazamento” – designação de um tipo de contrato, geralmente feito “em vidas”;
  • ousyáá” (ousia) – capela-mor, arco do cruzeiro sob a capela- mor;
  • sobradada” (casa) - edifício com um andar superior.

Normas seguidas na actualização do texto

  1. As palavras que se acrescentaram no texto surgem entre parênteses rectos.
  2. As designações de “vila” e de “cidade” aplicavam-se ambas, nesta época, à cidade da Guarda, por isso mantiveram-se.
  3. Onde, na transcrição de Braamcamp Freire, foi colocada uma barra (/) ou dupla barra (//), presumindo-se uma tentativa de pontuar, substituiram-se esses sinais por ; (ponto e vírgula) e por . (ponto), respetivamente.
  4. O “E” das frases “E paga del “ ou “E paga dellas” foi convertido em ponto final, fazendo-se parágrafo.
  5. Sempre que no texto de Braamcamp Freire tenha sido acrescentada uma nota contendo anotações marginais do manuscrito, essas anotações foram reintegradas no texto, em itálico e sinalizadas por parênteses angulares, por exemplo: <ora o tras Vicente Arragel por 20 soldos>.
  6. O vocábulo inicial “Item” manteve-se mas foi acrescentada uma numeração entre parênteses rectos, iniciada por [G1], o G referindo-se à Guarda.
  7. Desenvolveram-se todas as abreviaturas, que passaram a ser escritas por extenso (incluindo vocábulos onde o til ~ é sinal de abreviatura, como em hũa que foi atualizada para uma);
  8. Actualizaram-se os nomes próprios pela grafia atual;
  9. À forma verbal “traz” foi acrescentada “arrendada”, em parênteses retos [arrendada];
  10. Nos numerais, na referência ao século foi adotada a numeração romana, e nas datas e pagamentos foi usado o algarismo;
  11. Normas gerais da atualização ortográfica:
  • as letras maiúsculas no meio de um vocábulo actualizaram-se para minúsculas;
  • foram eliminadas as consoantes que não se leem (p. ex. h);
  • eliminaram-se as duplas consoantes se essa for a ortografia atual (p. ex. cassa foi atualizada para casa);
  • as duplas vogais foram eliminadas, exceto quando se trata de uma contração com valor fonético (p. ex. aa passa a à; ee passa a eis);
  • nos vocábulos onde, numa sílaba central, existe uma consoante maiúscula, foi duplicada essa consoante;
  • o y e o j foram substituídos por i (p. ex. Faja ou Faya, correspondente a Faia);
  • substituiu-se o b por v, e o u por v seguindo a grafia atual;
  • sempre que existe uma apócope foi inserido um ‘ (apóstrofo) (p. Ex. dellRey passou a d’el Rei;
  • todos os nomes de pessoas e de lugares passaram e ser escritos com inicial maiúscula;
  • “casa tyreira” ou “casa tireyra” foi atualizada para casa térrea. As casas com um andar superior são designadas por “sobradadas”;
  • a contração “cõ A” foi substituída por da;
  • “é testa”  ou “ētesta” foi atualizada para entesta, significando nas demarcações antigas “confina com”;
  • “as quaes casas” foi atualizada para essas casas;
  • “da outra parte” foi atualizada como do outro lado;
  • “de contra o muro” foi atualizada para contra a muralha, significando por vezes face à muralha;
  • “e parte” foi atualizada como confronta com, e foram suprimidas repetições deste vocábulo;
  • “El Rei” foi atualizado para o rei (p. ex. “campo do rei”);
  • “hũa” foi atualizada para uma;
  • “jazem trala judaria” foi atualizada por na judiaria;
  • “muro” foi atualizado por muralha;
  • “outro sy” foi atualizado para também;
  • “paga dellas” foi atualizada para paga por elas;
  • “paradeyro” foi atualizada para pardieiro;
  • “per fundo” foi atualizada para ao fundo, significando por vezes a última parcela do terreno;
  • “suso dicta” e “sobre dicta” foram atualizadas para sobredita;
  • “suso escrita” foi atualizada para acima escrita.

Considerações Finais

A actualização que apresentamos, e a interpretação do texto que lhe está subjacente, representam um contributo preliminar a estudos de maior pormenor sobre esta área da cidade amuralhada da Guarda. A riqueza deste documento abre caminho para investigações sobre aspetos sociais, económicos, profissionais, patrimoniais, entre outros, da vida desta comunidade durante a Baixa Idade Média – período marcante para a cidade da Guarda.

A atualização de qualquer texto histórico é sempre um desafio e um risco. Mas pode ser também a forma de o dar a ler a um público que, de outra forma, lhe seria alheio. Este é apenas um primeiro contributo nesse sentido.

Bibliografia

Rafael Bluteau, Vocabulário Português e Latino, Coimbra, Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1712.

Maria Filomena Coelho, “Inquirições régias medievais portuguesas: problemas de abordagem e historiografia” in Thierry Pécout (org.), Quand Gouverner c’est Enquêter. Les Pratiques Politiques de l’Enquête Princière (Occident, XIIIe-XIVe siècles), Paris, De Boccard, 2010, p. 41–52.

Anselmo Braamcamp Freire, “Tombo da Comarca da Beira”, Arquivo Histórico Português, Vol. X (1916), p. 313-325.

Maria Antonieta Garcia, Dulce Helena Pirs Borges (org.), Guarda: História e Cultura Judaica, Câmara Municipal da Guarda, 2000.

Rita Costa Gomes, A Guarda Medieval: Posição, Morfologia e Sociedade (1200-1500), Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1987.

Richard C. Hoffman e H. B. Johnson, “Un Villlage portugais en mutation: Povoa d’El Rey”, Annales. Économies, Sociétés, Civilisations, XXVI (1971), nº 5, p. 917–940.

José Pedro Machado, Dicionário Onomástico e Etimológico da Língua Portuguesa, Lisboa, Livros Horizonte, 2003.

Isaura Luísa Cabral Miguel, Religião e vida social no espaço urbano: comunidades judaicas na Beira Interior em finais da Idade Média, Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 2007.

Mark D. Meyerson, “The Economic Life of the Jews of Murviedro”, Bernard Dov Cooperman (ed.), In Iberia and Beyond: Hispanic Jews between Cultures, Newark/London, University of Delaware Press, 1998, p. 67–94.

Daniela Nunes Pereira, “O conceito de praça na cidade da Guarda entre a Idade Média e a Idade Moderna”, Promontoria, nº 6 (2008), p. 325-350.

Adriano Vasco Rodrigues, Guarda: Monografia, Coimbra, Santa Casa da Misericórdia da Guarda, 2000.

Maria José Ferro Tavares, “O Povoamento Judaico no território da diocese da Guarda”, Praça Velha, nº36 (2016), p.65–87.

Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram, Lisboa, A. J. Fernandes Lopes, 1865.

Cecília dos Santos Zacarias, Densidade do espaço urbano e identidade local: estudos comparativos das antigas judiarias da Covilhã, Castelo Branco, Guarda e Trancoso, Covilhã, Universidade da Beira Interior, 2011. 

Quadro – Resumo das informações contidas no documento

Ref.Tipo de PropriedadeTitular do contrato
[G1] Uma casa sobradadaJoão Vasques
[G2]Um campoJoão Vasques
[G3] Três casasAbraão Mamom, Judeu Sapateiro
[G4]Uma casa sobradadaIsaac Cacez Judeu
[G5] Uma casa sobradadaAbraão Sapateiro, filho de Judas de Linhares
[G6] Um pardieiroMestre Moisés
[G7] Um pardieiroJuça de Leiria
[G8] Um pardieiro, sem paredes(que foi de) Abraão Ferreiro
[G9]Uma casaSamuel da Faia
[G10]Uma casa sobradadaJudas Ferreiro
[G11]Uma casa sobradadaSamuel de Munhom
[G12]Uma casa térreaIsaac Cacez
[G13]Um pardieiroIsaac de Crasto
[G14]Um pardieiroDavid Favilhom
[G15]Uma casa sobradadaMestre Moisés
[G16]A Sinagoga[Comuna de] Judeus
[G17]Uma casa térreaInfante Jude
[G18]Uma casa sobradadaMestre Juça
[G19]Casa da atafonaDavid Falilhom e Abraão de Leiria
[G20]Casa sobradadaÁlvaro Gil, judeu
[G21]Casa sobradadaAbraão Mamom
[G22]Uma casaSuas Judas
[G23]Uma casaDaniel Judeu
[G24]Uma casaDona Fadona
[G25]Uma casaAntom Ergas
[G26]Uma casaAntom Ergas
[G27]Uma casa nova sobradadaIsaac Ferreiro
[G28]Uma casa térreaAlmofacem
[G29]Uma casaFabibi
[G30]Uma casaSantom [Sem Tob] Mamom
[G31]Uma casaDomingos Martins, carniceiro
[G32]Uma casa destruídaIsaac Ferreiro
[G33]Um pardieiroAfonso Geraldez
[G34]Uns açougues derrubados---------------
[G35]Umas casas balcoadasRabi David
[G36]Um pardieiro derrubadoDavid Falilho
[G37]Uma casaRabi David
[G38]Uma casa sobradadaDavid Falilho
[G39]Umas casas sobradadasSamuel Cacez
[G40]Uma casa térrea meia sobradadaCorocha
[G41]Uma casa sobradadaJacob Pernica
[G42] Uma casa sobradadaAbraão Rodrigo
[G43]Uma casa sobradadaAbraão Cofell
[G44]Uma casa sobradadaIsaac de Crasto
[G45]Duas casas sobradadasMoisés de Crasto
[G46]Uma casa sobradada e um sótãoDavid Favilho (o sobrado), Cide (o sótão)
[G47]Uma casa sobradadaSalomão Pernica
[G48]Uma casa térreaDomingos Apariço
[G49]Uma casa térreaMaria Abril
[G50]Uma casaGil Vicente
[G51]Duas casas aforadas (uma sobradada, uma térrea)Giral Dominguez
[G52]Uma casa térreaDomingas Apariço
[G53]Uma casa térreaBranca Peres
[G54]Uma casaEstevão Peres, almoxarife
[G55]Duas casas sobradadasJoão Pais
[G56]Duas casasPedro Afonso
[G57]Uma casaGonçalo de Avelãs
[G58]Uma casaGonçalo Geraldez
[G59]Uma casa sobradadaAfonso Domingues
[G60]Uma casa sobradadaAfonso Martins
[G61]Uma casaEstevão Peres, almoxarife
[G62]Uma casa metade sobradadaBeito Goncalves
[G63]Uma casa metade sobradadaJoão Coelho
[G64]Uma casaGonçalo Martins, peleiro
[G65]Duas casas sobradadasEstevão Peres (metade); Maria Anes; Vasco Esteves
[G66]Uma casaAndré Domingues da Faia
[G67]Umas casasGil Vicente, tabelião
[G68]Uma casaMartim Anes, almocreve
[G69]Uma casaAfonso Vicente, clérigo
[G70]“Uns pardieiros sem telha, nem madeira"---------------
[G71]Uma casaNão identificado
[G72]Uma casa sobradadaDomingos Afonso
[G73]Um campo que costumava ser alpendre das regateiras de S. VicenteRegateiras em dia de feira
[G74]Um alpendre no campo de S. VicenteMercadores em dia de feira
[G75]Uma casa sobradadaFernão Gonçalves, alfaiate
[G76]Duas casas sobradadasApariço Fernandes
[G77] Uma casa sobradadaFernão Peres
[G78]Uma casa sobradadaGonçalo Paes
[G79]Uma casa sobradadaApariço Domingues
[G80]Uma casaDomingos Beito
[G81]Uma casa sobradadaAntom Ergas
[G82]Uma casa sobradadaVasco Lourenço, genro de Garcia
[G83]Duas casas sobradadasVasco Bentes
[G84]Uma casa sobradadaAndré Domingues
[G85]Uma casaPedra Afonso
[G86]Uma casa sobradadaFernande Esteves
[G87]Uma casaAntónio Domingues, esqueireiro
[G88]Uma casa sobradadaJoão Domingues
[G89]Uma casa sobradada que jazia em pardieiro---------------
[G90]Uma casa sobradadaJoão Afonso Mageto
[G91]Uma torre (Torre velha)---------------
[G94]Uma casa fora da Porta dos FerreirosFilhos de Martim Barreiros

Quadro- Resumo da Onomástica (Nomes de pessoas)

Nomes com grafia originalReferência/Localização no texto
Abraão / Abrááo ÇofellG42; G43; G72
Abraão de LeyreeaG17; G19; G32
Abraão fereiro / fereyroG7; G8
Abraão / Abrááo MamõG5; G20; G21; G90
Abraão Mamom (filho de Dona Fadona)G24
Abraão Mamõ Judeu, ÇapateiroG3
Abraão Mamõ çapateiroG4
Abrááo RodrigoG39; G42; G43; G72
Abraão Çapateiro, filho de Judas de LynharesG5
Afonse Annes ÇapateyroG87
Afonse / Afomso AnnesG88; G90
Afomso DominguezG58; G59; G60
Afomso GiraldezG21; G24; G31; G32; G33
Afomso Martīz / MartjnzG59; G60
Afomso ViçenteG70
Afomso Viçente clerigoG68; G69
Aldara AnnesG85
AlmofaçemG26; G28
Aluar GilG19; G32
Aluar Gil JudeuG20
Aluaro Martīz Coonygo (prior da de Pero Viseu)G94
Andre (genro de Garçia)G83
Andre da FaiyaG65
Andre DomjnguezG84
André Domynguez da FayaG66
Antom / Antõ ErgasG23; G25; G26; G28; G79; G80; G81; G81; G82
António Dominguez escudeyroG86
Antonio Domjnguez esqueireyroG87
Apariço Dominguez / DomjnguezG78; G79
Apariço FernandezG75; G76
Baril JudeuG2
Beito GonçalluezG62; G63
Bell JfanteG19
Branca Perez (foi manceba do prior)G52; G53; G54
Cide / CydeG45; G46; G47
CorochaG40
Crara CrementeG36
DanyellG22; G25
Dannyell JudeuG23
Dauy FalidoG29
Daui / Dauy / Falylhõ / Falilho / FalylhoG18; G19; G35; G36; G38; G39; G40; G45; G46; G47
Daui / Dauy Fauyllõ / Fauyllo / FauylhoG14; G32; G42; G46; G75; G76; G77; G78
Diego PerezG85
Dom FalylhõG13
Domyga ApariçoG52; G65; G66
Domygo / Domingos / Domygos Apariço / AparyçoG35; G47; G48; G49
Domygos / Domygos AfomsoG43; G72; G75
Domygos BeitoG80; G81
Domygos MartjnzG27
Domygos Martīz / Martjnz (carnyçeiro)G31; G33
Dona FadonaG24
Dona FadonhaG27; G33
Dona FordonhaG21
Fauyuy / FauyueG28; G29; G38
Fernãde EsteuēzG86
Fernã / Fernan GonçalluezG39; G72
Fernan Gonçalluez AlfaiteG75
Fernam PerezG76; G77
Franca, a CucarachaG37
Gill AfomsoG33
Gill ViçenteG50
Gill Viçente (tabaliom)G67; G93
Girall DominguezG50; G51
Gonçallo d[e]AuelláásG56; G57
Gonçallo GiraldezG57; G58; G59; G61
Gonçallo Martiz piliteyro (peleiro)G54; G63; G64
Gonçalo / Gonçallo Paez / PaaezG29; G38; G77; G78; G79
Jfante JudeG17; G18
Jsaque de CrastoG12; G13; G41; G44;
Jsaquy de Crasto (irmão de Mousem)G45
Issaque / Jsaque CacezG3; G6; G11; G12
Isaque / Jsaque Cacez JudeuG4
Isaque / Jsaquy fereiro / fereyroG24; G27; G30; G31; G32;
Jaco PernycaG40; G41; G44
JaneyroG60; G61
Johana PerezG61
Johã Afomso MagetoG3; G10; G89; G90
Joham / Johã CoelhoG55; G62; G63; G64
Johã / Joham de DeosG52; G54
Joham DomjnguezG88
Joham / Johã Paez / PaaezG54; G55; G62; G63
Johã PascooalG38
Johã VaasquezG1; G2
Juça de LeireeaG6; G7
Judas de LynharesG3; G10
Judas fereyroG5; G10
Lionarda LourençaG94
Maria AbrilG49; G50
Maria ÃnesG65
Martjm / Martim AnnesG67; G69
Martim Annes AlmocreueG68
Martim GauyamG65
Martim Bareiros (filhos de)G94
Meestre JuçaG16; G18; G22; G23
Meestre MousemG4; G5; G6; G7; G10; G15; G16; G87; G88; G89
Mousem de CrastoG35; G36; G37; G41; G44; G45; G46
MunhumG9
Pedro AfomsoG16; G55; G56; G57; G85
Pedro Afomso escudeyroG84
Raby / RRaby DauyG35; G37
Rodriga AfomsoG70; G71
SalamõG38
Salamõ AdidaG35
Salamõ PernycaG46; G47
Samuel / Samuell CacezG38; G39; G42
Samuell / Samuel da FajaG8; G9; G11
Samuell de MunhõG11; G12
Sancha Annes / Ãnes /AnesG48; G49; G50; G51
Santem / SantomG27; G31
Santõ MamõG30
Steuam AfomsoG53; G64; G65
Steuam PerezG55; G56; G59; G60; G64; G65
Steuam Perez AlmuxarifeG53; G54; G61
Suas JudeuG22; G23
Vaasco BentezG82; G83; G84
Vaasco EsteuēzG52; G65
Vaasco Fernandez da CurugeyraG85
Vaasco PerezG82
Vicento aRagelG8
Vaasco Lourenço (genro de Garçia)G81; G82; G83